Luiz Alves - REPORTAGEM LOCAL
O vice-governador e pré-candidato ao governo do Estado tem certeza que seu crescimento nas pesquisas deve aumentar depois que assumir o governo, com a renúncia do governador Blairo Maggi (PR), em 31 de março. Para Barbosa, os índices nas pesquisas têm sido significativos e além das expectativas, principalmente na Baixada Cuiabana, em que apontam empate técnico com o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB). Barbosa acredita que ao assumir o Executivo, a população verá como ele encaminha as decisões e ações e, apesar de o virem como uma “sombra” de Maggi, ele garante que só age assim porque não quer atropelar o governador. O vice-governador disse que os resultados das pesquisas tendem a aumentar com a maior visibilidade. “Quando eu assumir o governo, a responsabilidade é comigo, a condução e as decisões são comigo e aí as pessoas vão ver como é Silval Barbosa”, declarou ele na entrevista.
Folha do Estado: O senhor participou de uma reunião com o PMDB de Rondonópolis no fim de semana. Esse encontro tinha algum objetivo específico?
Silval Barbosa: O partido queria uma reunião de estruturação na região, querem participar efetivamente do projeto para a estruturação da pré-campanha. Falamos com nossa militância, sobre o que pensamos e também para engajá-los nesse projeto.
Folha do Estado: Esse encontro também serve para tentar uma reaproximação com o prefeito José Carlos do Pátio?
Silval Barbosa: Eu sempre fui muito claro nas minhas opiniões e no que tenho falado publicamente. Estou à disposição do prefeito José Carlos do Pátio desde o dia em que ele assumiu a prefeitura, estou pronto para ajudá-lo nos encaminhamentos, nos pleitos aqui no governo. Nunca fechamos as portas, o diálogo e nesta ida a Rondonópolis conversamos mais uma vez para me colocar à disposição no que posso ajudar. É um polo importante e que precisa da ajuda do governo do Estado e federal para se desenvolver.
Folha do Estado: O senhor tem esperança de que Pátio mude de opinião e desista de apoiar o PSDB?
Silval Barbosa: Não estou focado e preocupado com esta questão, com a posição dele. Estou preocupado com o município de Rondonópolis, quero ajudar a desenvolver as obras importantes de logística. Politicamente, estou com o partido, que está solidário nesse projeto, engajado. Esse projeto também passa pelo PR, que está engajado nesse processo. A decisão do Zé do Pátio participar ou não é uma decisão dele. Se participar, melhor, tem como ajudar mais Rondonópolis e tenho certeza que ele optou por fazer as declarações antes da campanha dele de aderir ao projeto do PSDB para governo do Estado. Assim, tenho mais é que respeitar a opinião dele, embora não concorde. Não estou preocupado com o que ele está pensando, onde quer ir, mas é lógico que se ele rever essa posição e vir do nosso lado é muito bom e fortalece ainda mais.
Folha do Estado: O senhor recebeu apoio na sexta-feira do PSC, o que o partido representa nessa aliança, já que é considerado nanico?
Silval Barbosa: A executiva estadual e municipal hipotecaram apoio, disseram que estão engajados no projeto. É um apoio muito importante nesse momento, pelo partido e pelo segmento que representa, são militantes advogados, profissionais liberais, engenheiros, médicos. É um partido muito interessante, que tem uma força, uma intensidade grande no Estado, principalmente na capital e tenho certeza que vai ajudar muito nessa pré-candidatura. Tem vários candidatos a deputados estaduais e federais e com expressão forte, apesar de não ser um partido grande.
Folha do Estado: Como o senhor avalia o cenário político atual, já que estamos vivendo um período atípico em que não há definição de candidaturas?
Silval Barbosa: Estamos a seis meses da eleição, é difícil avaliar agora, porque não sei ainda quem serão meus adversários. O prefeito da capital não definiu, o senador Jayme Campos não definiu, o Mauro Mendes não definiu, não sei. Estou fazendo meu trabalho do arco de alianças, fui lançado pelo PMDB, mas estou discutindo dentro do arco de alianças. Mesmo assim, estou muito tranquilo porque vejo que estamos no caminho certo. Estamos superando todas as metas que estabelecíamos de crescimento. E em nível nacional também está dando tudo certo. A ministra Dilma Rousseff está crescendo muito nas pesquisas, há uma intenção de votos muito forte e isso ajuda muito em nosso projeto também. A população está entendendo que não deve mudar em nível nacional. Está tendo uma estabilidade muito grande, o poder aquisitivo está muito melhor, a população está inserida no processo de desenvolvimento do país e isso reflete aqui no Estado. Estamos com nossa economia muito bem definida.
Folha do Estado: O senhor vem crescendo nas pesquisas que tem apontado empate técnico com o prefeito Wilson Santos. Como avalia isso?
Silval Barbosa: Eu estou otimista e feliz com o resultado e acredito que nas próximas vamos superar. Estou crescendo onde tinha dificuldade que é na Baixada Cuiabana, os índices para mim estão muito bons, a população está entendendo a minha intenção, o que quero fazer de transformação para Cuiabá e toda a baixada. E no Estado, fazer a integração, para que tenha esse crescimento que vem tendo e que todas as regiões sejam beneficiadas pelo governo.
Folha do Estado: O senhor acredita que os índices possam melhorar depois que assumir o governo?
Silval Barbosa: Eu tenho certeza que sim, porque as pessoas vão passar a conhecer o Silval Barbosa no Executivo. Hoje, muitos falam que sou muito retraído, que ando na sombra do Blairo, mas não é isso. Não fui eleito governador, fui eleito vice-governador e eu não vou fazer gestão paralela ao meu governo. É o governador que tem o poder de decisão, de definir o planejamento e eu sempre venho acompanhando e ajudando nas ações e nas decisões junto com o Blairo. Agora, eu não vou atropelar o Executivo e nem querer aparecer ou estabelecer metas e mandar executar porque aí vamos confrontar e brigar. Isso acontece com a maioria dos vices, que brigam com o titular do cargo porque querem atropelar, ser mais que o titular, avançar o sinal e eu não, sei o que é exercer meu papel de vice. Mas quando eu assumir o governo, a responsabilidade é comigo, a condução e as decisões são comigo e aí as pessoas vão ver como é Silval Barbosa.
Folha do Estado: O PP é um partido que não está definido, mas onde ele entraria nesse arco de alianças?
Silval Barbosa: O PP é um partido estruturado no Estado com lideranças muito fortes, então é um partido importante e vou trabalhar muito para ter o PP no nosso arco de alianças. Tem espaço sim para o PP. Estamos discutindo e ainda tem a vice-governadoria aberta, temos espaço nas secretarias porque quem ajuda a ganhar e a dar governabilidade tem que ajudar a governar também. É um partido que tem pessoas competentes que muito bem podem estar presentes tanto no governo como na chapa majoritária.
Folha do Estado: O senhor participou de uma reunião com o empresário Mauro Mendes. Está acontecendo uma reaproximação?
Silval Barbosa: Sempre falei que quero trabalhar para reeditar o arco de alianças que elegeu Blairo e Silval em 2006 e aí sim está o PSB. Não temos diferenças com o Mauro, ele sempre esteve no PR, há poucos dias saiu do partido, mas entendemos que é do mesmo grupo político nosso. Fui um dos coordenadores da campanha dele para prefeito em 2008 e mantenho diálogo com o Valtenir e vou trabalhar para que o PSB esteja inserido no arco.
Folha do Estado: Qual foi o teor dessa conversa?
Silval Barbosa: Ele nos procurou e marcamos a reunião. Ponderamos a ele que não deve sair fora do grupo, que dentro do grupo teria condições de viabilizar candidatura e eu estou dentro do grupo e defendo a continuidade do governo. É lógico que se tem que melhorar alguns rumos, saúde não está do jeito que queremos, a segurança, a carga tributária e vamos procurar avançar.
Folha do Estado: A retirada do apoio do PDT e do PPS da candidatura de Mendes torna mais fácil essa aliança com o PSB?
Silval Barbosa: Hoje não temos mais a figura da verticalização, mas temos a fidelidade partidária. O PDT não aceita que o partido em qualquer lugar do Brasil siga o projeto do PSDB, segundo o ministro Carlos Luppi. Eles estão no projeto da Dilma. Então, vejo que hoje está muito mais próximo o PDT no palanque que estiver a Dilma do que do outro lado. E assim também é o PPS, acho muito difícil o Roberto Freire abrir mão de apoiar o PSDB, embora o partido aqui argumenta que é possível respeitar as decisões locais e se for possível vou trabalhar para tê-los do nosso lado.
Folha do Estado: Haverá muitas mudanças no staff ao assumir o governo? O senhor pretende imprimir marca própria?
Silval Barbosa: Dia 31 anuncio o meu secretariado. Estou preocupado apenas com os cargos que vão vagar e, no mais, vou fazer uma transição muito tranquila, sem muita preocupação em estar mudando todo o quadro de secretariado, porque estou inserido nesse grupo e sei como estão as secretarias.
Folha do Estado: Como o senhor avalia o fato de que seu adversário político atribui todos os erros administrativos à política fugindo da responsabilidade?
Silval Barbosa: É uma questão de gestão. O gestor tem que ter uma boa equipe e tem que ser capaz, não dá para admitir que com dinheiro na conta as coisas não andem. Por exemplo, o Rodoanel, que tem recursos, a ETA Tijucal tem recursos, a avenida das Torres, questão da saúde. Isso é questão de gestão, não se pode fazer uma saúde com qualidade se em cinco anos se muda sete secretários, é difícil planejar a saúde.
Publicado em : 08/03/2010 às 17:33 Editado em: 09/03/2010 às 16:56