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Política
Luis Acosta - DA EDITORIA
Josi Pettengill
Armando de Oliveira, irmão do ex-governador Dante de Oliveira afirma que nunca quis ser político

Folha do Estado – O senhor é citado no livro do jornalista Palmério Dória, “Honoráveis Bandidos”, como um funcionário que fez carreira no terceiro escalão da Cemat (Centrais Elétricas Mato-grossenses) e se transformou no mais rico empresário do Estado com a venda da Cemat e a criação da empresa Amper, em sociedade com Fernando Sarney, filho do atual presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney. Qual é a sua versão sobre isso?
Armando Martins de Oliveira – É uma estória fantasiosa e totalmente descabida. O meu relacionamento com o Fernando Sarney aconteceu em 1984, mais ou menos. Eu participei de uma licitação no Maranhão, com a construtora Amper e ganhei uma concorrência para construir redes de distribuição e linhas de distribuição de energia desde a Centrais Elétricas do Maranhão, nesse período, o Fernando Sarney era o então presidente da Centrais Elétricas e, na assinatura do contrato, ele me chamou e perguntou se eu tinha interesse em comprar uma fábrica de postes da qual ele era proprietário junto com o Miguel Duailib; eu, então, disse que não tinha recursos para tanto e ele propôs facilitar o pagamento em parcelas por que ele, na condição de presidente da estatal, não podia operar como comprador dos produtos de uma fábrica da qual era dono.


Folha do Estado – O senhor perdeu o negócio?
Armando de Oliveira – Não. Passado um período de tempo, fiz uma composição e comprei essa indústria de pré-moldados que se chamava “Pré-Mold” e passei a ser sócio do Miguel Duailib. Esse foi o meu relacionamento com o Fernando Sarney.


Folha do Estado – E o que o senhor tem a dizer a respeito da acusação de Palmério Dória, de que teria enriquecido no período de privatização da Cemat, favorecido pelo fato de ser irmão do então governador Dante de Oliveira?
Armando de Oliveira – A privatização da Cemat, eu não me lembro exatamente a data (ocorreu no dia 27 de novembro de 1997), foi no governo de Dante (de Oliveira, seu irmão) não tem nada a ver com a minha empresa, a Amper, que foi criada em 1981. Quando a Cemat foi privatizada, a empresa já operava em vários estados brasileiros como: Maranhão, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia, portanto, já era uma empresa “razoável”. Quanto ao meu vínculo com a Centrais Elétricas Mato-grossenses, eu trabalhei de 1971 a 1981 e, se eu era funcionário de segundo ou terceiro escalão, isso não me importa. Eu era superintendente de distribuição e passei para superintendente de produção e transmissão, que é o primeiro cargo executivo, abaixo dos cargos de confiança e diretoria. Os diretores eram todos indicados politicamente e os superintendentes eram praticamente cargos de carreira, eu cheguei, com seis ou sete anos de formado (Engenharia Elétrica), antes, já tinha montado o Centro de Processamento de Dados (CPD) da Cemat, já que também sou formado em Análise de Sistemas e atingi esse posto. Mas, na época, o Dante fazia uma campanha muito pesada ao governo Frederico Campos e, as retaliações que começaram a vir sobre mim, principalmente por parte da Assembleia Legislativa, que não se conformava em ter um superintendente da Cemat que era irmão de um deputado oposicionista ferrenho ao governo. Diante disso tudo, decidi pedir demissão, criei a construtora (Amper), contrariado, porque eu gostava do que fazia. A privatização é coisa de 13, 14 anos depois (o correto são 16 anos) da empresa criada e do seu sucesso no mercado. Como papel aceita tudo e o responsável escreve o que quer, eu só tenho uma atitude a tomar: mover um processo contra ele (Palmério Dória) para que prove as suas afirmações.


Folha do Estado - Como foi que o senhor recebeu o apelido de “Armandinho Nova República”, qual a origem dele?
Armando de Oliveira – (... risos) Eu nunca tinha ouvido falar desse apelido. Nem mesmo meus amigos o conheciam. Eu acredito que isso deva ter surgido em uma roda de boteco que ele (Palmério Dória) frequentava, até porque eu nunca tive nada a ver com a tal Nova República, não fui, não sou e não quero ser político, portanto, não tenho a menor ideia de onde isso foi tirado.


Folha do Estado – O senhor ainda mantém negócios no Maranhão, trabalhou por quanto tempo naquele Estado, a sua empresa esteve presente no Maranhão por quanto tempo?
Armando de Oliveira – Eu trabalhei no Maranhão por uns oito ou 10 anos e a empresa (Pré-Mold) foi mal no final e eu passei o comando para os diretores que tiveram interesse em ficar com ela.


Folha do Estado – Por que o senhor decidiu sair da sociedade com o Miguel Duailib?
Armando de Oliveira – Porque o passivo e o ativo da empresa eram quase iguais, não era rentável. Eu tinha contas a receber e não recebia e eles (os diretores) decidiram ficar com a empresa, então fiz uma venda, entreguei a empresa pra eles, e isso já tem mais de 10 anos, e encerrei meus contatos ali.


Folha do Estado – Essa expressão “passei pra eles” envolve alguém da família Sarney?
Armando de Oliveira – Não. Eram os diretores técnicos da empresa; por sinal, os dois já são falecidos, o José Roberto e o outro era um português, de Angola e continuaram com o Miguel Duailib, que era sócio na fábrica e ficou também sócio da construtora. Vale salientar que os dois compraram sem remuneração porque a empresa não ia bem das pernas naquela época.


Folha do Estado – No livro, o jornalista afirma que o falecido governador Dante de Oliveira tinha relações de amizade muito próxima com a atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney e seu marido Jorge Murad. O senhor também fazia parte desse círculo de amizade?
Armando de Oliveira – O círculo de amizade de Dante de Oliveira com Roseana Sarney, pelo que eu sei, deveu-se ao fato de que Dante foi ministro da Reforma Agrária no governo Sarney (pai de Roseana), ambos eram políticos e conversavam, tinham um relacionamento cordial tanto com ela quanto com o marido dela, o Jorge Murad. Agora, eu conheci a Roseana sim, ela foi muito influente na queda do Collor (Fernando Collor de Mello), mas, a relação foi sempre profissional, assim como o Dante, que se relacionava com todos os políticos do Brasil.


Folha do Estado – O senhor, de alguma forma, chegou a prestar serviços para o governo de Mato Grosso quando seu irmão era governador ou para outros governos nos estados onde sua empresa atua?
Armando de Oliveira – O que eu posso dizer sobre Mato Grosso é interessante: no fim do governo Jayme Campos (PFL na época, hoje DEM), ele licitou uma obra de interligação energética entre Sinop e Alta Floresta e eu ganhei essa concorrência que acredito ter sido a maior concorrência da Cemat no Estado de Mato Grosso. Comecei a fazer, acabaram os recursos, era uma obra muito importante, nenhum governador podia ir mais para o Nortão que, sem energia, a população fazia passeata com velas nas mãos, na época era uma crise muito grande e Dante veio a ganhar o governo depois e me pediu para continuar a obra. Ele (Dante), não tinha recursos suficientes para pagar a obra e me pediu que levantasse os recursos no Banco Bamerindus para tocar a obra que depois ele ia pagando. Assim fiz, terminei a obra, inaugurou a obra e eu fiquei com um bom volume a receber, quando eu estava escalado para receber, o Collor baixou aquele decreto que roubou 40% da correção monetária e o banco não tinha nada com isso, tive que pagar o banco pela correção normal e isso me colocou numa crise muito grande, tive que vender duas fazendas minhas para pagar isso. O governo não podia me pagar porque a legislação não me permitia, você tinha um índice de correção determinado, então, eu carreguei essa dívida com o Bamerindus por muito tempo, entreguei duas fazendas para o banco, tenho tudo isso documentado, uma era em Campo Verde e a outra, em Porto Esperidião, a Lagoa Encantada. O banco ficou com ela uns cinco anos, depois fez uma licitação e eu a comprei de novo, embora hoje eu não seja mais o dono porque numa outra crise eu tive que vender de novo. Tudo isso que estou te falando está documentado e mostro a quem quiser ver.


Folha do Estado – Como é que o senhor analisa a acusação de que o seu falecido irmão (Dante de Oliveira) teria enviado uma fortuna fabulosa de US$ 42 milhões para um paraíso fiscal, a Suíça e que essa fortuna só não foi resgatada porque alguém perdeu o número da senha?
Armando de Oliveira – Eu sugeri para a viúva (Thelma de Oliveira), algumas alternativas: a primeira, dar a metade desse valor (US$ 21 milhões) para quem souber ou descobrir a senha; mais US$ 1 milhão, para quem descobrir onde está o dinheiro (...risos), porque, eu acho um deboche, uma falta de respeito com alguém que construiu uma bela imagem em nível de Brasil como político, não por ser meu irmão, mas, porque Dante tem um trabalho bonito sobre democratização e principalmente um trabalho bonito sobre o desenvolvimento de Mato Grosso. Se hoje o Estado é o maior produtor de algodão do país, de soja, deve a ele. Dante vendeu uma imagem de Mato Grosso no mundo inteiro, isso contribuiu pra chegar aonde chegamos, fez palestras em Chicago, na Holanda, trouxe muitos investimentos, abriu Mato Grosso para novos investimentos e depois, você vê um sujeito desclassificado que escuta uma conversa de boteco e vem e faz uma denúncia desta só merece uma coisa: processo. Se a Justiça brasileira vai fazer cumprir a lei eu não sei, mas acho que tudo isso também possa estar associado às questões políticas. Estamos em ano político e isso pode ser mais uma orquestração contra o grupo político que segue as ideias e os ideais de Dante de Oliveira.

Publicado em : 18/01/2010 às 13:41
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