Josi Pettengill - FE
O empresário Mauro Mendes anuncia se vai ou não ser candidato a sucessão estadual em março
Empresário e pré-candidato ao governo do Estado, Mauro Mendes (PSB) revela nesta entrevista que vai trabalhar para ter o apoio do PR, mesmo que o partido já tenha declarado apoio ao vice-governador Silval Barbosa (PMDB). Mendes deve trabalhar junto a ala da sigla que foi contrária a aliança com Barbosa e que defendia seu nome para a sucessão estadual. Segundo ele, o apoio dos republicanos é um sonho de qualquer candidato, isso porque a maior liderança da legenda é o governador Blairo Maggi. Questionado se poderia vir a ser vice na chapa encabeçada por Barbosa, Mendes é enfático ao afirmar que não vai deixar seus negócios de lado para ficar em segundo plano. Para o empresário, ser vice é ficar parado, esperando o titular viajar para assumir o mandato. Ele conta que este não é seu perfil. Mauro também descarta a possibilidade de ser candidato ao Legislativo.
Folha do Estado: O senhor ainda não oficializou a candidatura ao governo, disse que faria agora em 2010. Quando pretende anunciar que é candidato à sucessão estadual?
Mauro Mendes: Eu repeti muitas vezes ao longo de 2009 e a partir de 2008, quando terminaram as eleições para a prefeitura de Cuiabá, que eu só falaria de eleições 2010, em 2010. Já estamos, mas eu dizia isso na simples crença que tenho de fazer mais política com foco no resultado e não simplesmente pensando em eleições. Eu acho que a boa política tem que se preocupar com os problemas da sociedade, nossa cidade, nosso Estado e pensar na construção de soluções. Não podemos fazer política só pensando nas eleições. Eu particularmente discordo disso. E como já estamos em 2010, voltei com a disposição de conversar, já que muitas vezes foi comentado por outras pessoas de que eu poderia participar dessas eleições na qualidade de candidato.
Folha do Estado: Para tomar essa decisão o que o senhor está levando em consideração?
Mauro Mendes: É uma decisão muito difícil, tenho dito isso para as pessoas, porque não é uma decisão que envolve só a minha vida, envolve minha família, os meus negócios, atividades que hoje tenho em Mato Grosso, envolve a vida de todos no Estado. Dizer não poderia ser simples, mas não é, e dizer sim tem toda uma complexidade de ações e desdobramentos futuros. Nesse momento, com muita objetividade, tenho conversado com os partidos, com lideranças políticas, comecei a viajar o Estado para conhecer outras cidades, entender com muito mais segurança e propriedade os desafios e problemas e eventualmente, onde podemos contribuir e se podemos contribuir como gestor público. Nesse momento estou observando, analisando, conversando e mostrando minha disposição. Mas, ser ou não ser candidato a governador não é uma coisa que dependa de um homem só, é preciso apoios, pessoas que queiram isso também. Tenho dito que uma eleição se sustenta sob três pilares: primeiro, o da viabilidade política, da viabilidade eleitoral e da financeira. Estamos conversando e trabalhando para vermos se conseguimos efetivamente reunir esses três elementos importantes.
Folha do Estado: Mas o tempo está correndo, o senhor já tem uma decisão? Quando pretende anunciar?
Mauro Mendes: Eu fiz um compromisso de que até o fim do mês de março nós decidiríamos. Reconheço que precisamos desse tempo, desse diálogo, mas que não podemos deixar isso muito para adiante. Até porque se eu disser sim teremos uma série de ações para providenciar, tenho que começar a desincompatibilizar os compromissos, e se disser não também. Mas sei que temos que agir, ser rápidos.
Folha do Estado: Mas e todas as especulações que estão acontecendo?
Mauro Mendes: Tenho dito que até o final de março tenho uma decisão, mas reconheço que na política existem muitos vaivéns, muitas conversas, no português claro, muita fofoca, muitas vezes criados pelos próprios agentes da política e que a imprensa divulga isso e é o papel da imprensa. Se é verdade ou não, não é culpa da imprensa, é daqueles que criam e muitas vezes de forma intencional para poder desestabilizar. Sou um cara bastante tranquilo e aprendi que nada resiste a um trabalho sério, se isso é feito, pode num primeiro momento não ser percebido, mas nada sobrevive a médio, longo prazo se não for calçado na verdade, na seriedade.
Folha do Estado: Como o senhor está lidando com as especulações que surgem, inclusive as que o presidente do seu partido, deputado federal Valtenir Pereira, estaria negociando com o PMDB?
Mauro Mendes: Tem algumas pessoas que fazem política da forma tradicional, da forma que a gente conhece, antiga. Acho que cada vez mais o cidadão percebe as coisas, hoje em dia a informação circula muito rapidamente. Por isso, gostaria de esclarecer algumas coisas. O deputado Valtenir tem sido um grande companheiro nesse ano, principalmente. Tem feito um trabalho excepcional como presidente de partido, como deputado federal. Eu o acompanhei por duas vezes em Brasília, ele anda naqueles Ministérios, corre atrás da captação de recursos e eu acredito muito nele. Acho que ele é um homem de palavra e vai demonstrar isso e não tenho a menor preocupação, que se nós tivermos um projeto e nos colocarmos a disposição para sermos uma alternativa para a sociedade, eu o considero 100% correto, ele vai cumprir a palavra e os compromissos.
Folha do Estado: Com relação a possibilidade do PDT e PPS retiram o apoio ao seu nome para seguir a orientação nacional. Como o senhor analisa?
Mauro Mendes: Tenho conversado com o deputado Otaviano Pivetta e não só com ele, mas com várias lideranças do PDT, aqui e de várias regiões do Estado, que tem se mostrado muito firmes na construção do projeto Mato Grosso Muito Mais. Da mesma forma é o deputado estadual Percival Muniz, presidente do PPS. Percival é uma pessoa de grande visão política, consistente, um homem que conhece muito a política, sabe analisar a situação, os cenários, tem se mostrado também um companheiro de primeira hora e essa conversa toda que surgiu aí já foi esclarecida, onde o presidente nacional disse claramente, o PPS nacional vai apoiar um determinado candidato, que é o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB. Mas em nenhum momento ele disse que aqui em Mato Grosso deve acompanhar os tucanos. Isso está muito claro, o PPS está discutindo, eu já conversei com várias lideranças, mas é óbvio que sempre tem alguma liderança por um interesse ou outro, quer trilhar outro caminho. Isso é natural, é democracia, sempre tem dois ou três ou quatro que discordam, mas o PPS é feito de centenas de pessoas e tenho visto que a grande maioria prefere acreditar na construção do nosso projeto.
Folha do Estado: O senhor já está pensando em nomes que podem ser vice na sua chapa?
Mauro Mendes: Tenho dito que antes de discutir nomes, vamos discutir Mato Grosso, nossos problemas, futuro, porque isso verdadeiramente é o que importa.
Folha do Estado: O senhor vai disputar a eleição enfrentando duas máquinas, do governo estadual e da prefeitura. Acredita que está preparado para isso?
Mauro Mendes: Máquina não vota, mas cria condições importantes para operar uma campanha. Mas quem ganha eleição é o cidadão, é o voto. Não dá para ganhar eleição antes que aconteça, não dá para combinar nos bastidores sem levar em consideração e sem respeitar o cidadão, o eleitor. Aqui mesmo em Mato Grosso, casos recentes de pessoas que tentaram combinar nos bastidores a eleição e acabaram tomando uma surra nas urnas. Máquina, apoio logístico, financeiro é importante, temos nos preocupado com isso também, mas acima de tudo nossa preocupação é com o futuro do Estado.
Folha do Estado: O senhor almoçou com o governador Blairo Maggi (PR), isso mostra que pode existir algum tipo de apoio da parte dele a sua candidatura ao governo?
Mauro Mendes: Realmente almocei e o governador comunicou isso à imprensa. Tudo o que se faz na política acaba se tornando uma atividade pública. Não existe segredos. Almoçamos na casa de um amigo em comum e conversamos sim sobre política, sobre o cenário eleitoral, mas não houve nenhum acordo, apenas conversamos como velhos amigos que se respeitam.
Folha do Estado: Então vocês fizeram as pazes? Além disso, existe possibilidade dele apoiar seu nome para o governo?
Mauro Mendes: Nunca brigamos. Ele não concordou com minha saída do PR, mas isso é uma decisão que tomei com responsabilidade. Com relação a me apoiar, aprendi uma coisa, em política tudo é possível.
Folha do Estado: Mas o senhor tem o interesse, vai tentar cooptar o PR para seu projeto?
Mauro Mendes: Claro, isso é o sonho de qualquer candidato. Vou trabalhar para isso, com os amigos, me considero ainda amigo do governador. Não tem problema algum ser amigo de alguém e estar em partido diferente. Além disso, tenho vários amigos do PR e vou trabalhar para conseguir o apoio deles.
Folha do Estado: Existem rumores de que o senhor poderia ser candidato ao Senado da República ou vice na chapa encabeçada pelo vice-governador Silval Barbosa (PMDB). O senhor já recebeu convite para ser vice de Silval?
Mauro Mendes: Não vou ser candidato a nenhum cargo legislativo. É uma questão de perfil e sou uma pessoa do Executivo. Vice do Silval Barbosa nunca foi discutido nem recebi convite. Também por uma questão de perfil, não aceitaria ser vice. vice é vice e fica lá paradinho e é muito difícil de assumir. Eu não vou largar tudo o que faço para ficar em segundo plano.
Publicado em : 17/02/2010 às 13:31