O prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), que se prepara para deixar o cargo até o dia 4 de abril para entrar na disputa pelo governo do Estado, reconhece que enfrentou vários problemas para tocar as obras de Cuiabá, principalmente as crises de 2006, quando assumiu o comando da capital, e a de 2009 que afetou toda a economia mundial. Mas, apesar de todas as dificuldades, Santos afirma que está preparado para concluir todas as obras que estão em andamento, como a finalização da avenida das Torres e a inauguração da ETA Tijucal, que vem sendo uma dor de cabeça para o município, uma vez que é remanescente do primeiro mandato e sua inauguração foi prometida várias vezes e não aconteceu.
Folha do Estado: Houve uma expectativa muito grande com relação ao seu segundo mandato como prefeito de Cuiabá. Qual avaliação o senhor faz da sua gestão pouco mais de um ano após reeleito?
Wilson Santos: Nestes cinco anos nós sofremos duas crises: em 2006 e em 2009, que tem efeitos até agora. A de 2006 foi uma crise notória nos estados do agronegócio, como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Perdemos muito em 2006, e em 2009 veio uma crise internacional que se abateu principalmente nos municípios brasileiros, nem tanto nos estados e União, mas até hoje há enormes prejuízos aos municípios, como perda de recursos do FPM, ICMS, Fundeb. Os municípios são as principais vítimas desta crise internacional e não saímos ainda. Nós sabíamos que em 2009 seria o ano de reorganização, a minha equipe econômica sempre alertou desde o início e pediu autorização para apertar os cintos, que não se fizesse praticamente nenhum investimento, e eu tomei a decisão política de fazermos um ano praticamente com investimento zero, para que em 2010 as coisas evoluíssem com mais naturalidade. A partir deste ano teremos muitas obras concluídas, ampliação e lançamento de serviços. 2010 promete ser um bom ano, apesar de não estar começando bem! Estamos novamente com perdas expressivas com relação ao FPM.
Folha do Estado: Ao longo do mandato houve avanços em alguns setores, como a redução da mortalidade infantil e melhoria da educação, porém, houve transtornos na área da saúde, com a greve dos médicos, e obras como ETA Tijucal, Rodoanel e segunda etapa da avenida das Torres, que ainda não foram concluídas. Como o senhor avalia isso?
Wilson Santos: Estou enfrentando esses problemas com muita fé em Deus, cuidando das finanças públicas e agindo com responsabilidade. Desde o início o meu governo é marcado politicamente, lembro que quando assumi e coloquei os salários rapidamente em dia gerou uma forte expectativa de que eu poderia ser candidato a governador em 2006. Em 2008, fui objeto de adversários poderosos, Cuiabá jamais tinha visto tantos grupos poderosos politicamente e economicamente contra uma só figura. Terminada a reeleição, já há de novo a marcação sobre a minha pessoa com relação à eleição de 2010, mesmo sem nunca eu ter assumido essa candidatura. Isso tudo levou as relações, parcerias e convênios a reduzir expressivamente com os governos estadual e federal em relação a Cuiabá. Enfrento isso com naturalidade, fé em Deus e a cada dia estamos superando as dificuldades. 2010 será um ano muito bom para Cuiabá, com entrega de obras importantes e esperadas, tenho a felicidade de estar resolvendo problemas históricos, resolvendo e universalizando o abastecimento de água da cidade. Daremos uma nova avenida estruturante com 13 quilômetros, ligando regiões importantes da Capital e beneficiando cerca de 25 mil pessoas. Estamos fazendo a maior reforma do pronto-socorro da história de Cuiabá. A maior parte das críticas à saúde são políticas e partidárias, mas 60% da população de Cuiabá está coberta pelo programa Saúde da Família. O que falta a Cuiabá é um programa sério dos governos estadual e federal para dotar os municípios do interior com infraestrutura médico-hospitalar séria com fixação de médicos e ampliação dos leitos e a criação de um hospital regional para atender pouco mais de 1 milhão que habitam na Baixada Cuiabana.
Folha do Estado: O senhor considera que a instauração da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa e a Operação Pacenas, da Polícia Federal, são resultado de interferências políticas?
Wilson Santos: O que muitas pessoas admiram no meu modo de ser, e admiram porque não me conheciam antes, é que eu enfrento qualquer problema, não conheço a palavra medo. Deus me poupou deste sentimento. Todos os problemas eu tenho enfrentado de frente desde a Operação Pacenas, dengue, acidentes, problemas de falta d’água, buraqueira. Enfrento mesmo, porque a omissão não faz parte da minha personalidade. Ao longo destes cinco anos fizemos muito por Cuiabá, mas poderíamos ter feito mais se questões políticas partidárias não atrapalhassem. Infelizmente, há muitos que ocupam cargos importantes, estratégicos, que são contaminados por sentimentos menores, caolhos, ultrapassados, odiosos, o que deixa o interesse da população em segundo ou terceiro plano. Nunca neguei um pedido do governador ou do presidente para uma reunião, nunca nos omitimos com relação às parcerias. Sou honesto! Digo sempre a presença do Estado e União nas obras, convoco o governador e ex-prefeitos para inaugurarmos obras que eles começaram ou tem parcerias, como já fiz na avenida Beira Rio, em várias creches de Cuiabá. Já convidei o governador Blairo Maggi e a senadora Serys para inaugurarmos em março a avenida das Torres. Sempre acho que o povo é o nosso patrão e está acima de tudo, podemos ter nossas diferenças, mas o interesse público deve estar acima de tudo.
Folha do Estado: Tem sido difícil conviver com tantas críticas? O que mais tem incomodado?
Wilson Santos: Sou um democrata na essência, tenho a tranquilidade de conviver com a crítica, contrapontos, porque vivenciei o processo de redemocratização do Brasil a partir de 1979 na UFMT e nas ruas de Cuiabá. Apesar de tantas críticas, Cuiabá está no rumo certo, possui o segundo melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, segundo a Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), à frente de cidades mais novas como Sapezal, Sorriso, Primavera do Leste, Nova Mutum, Sinop. É a terceira melhor cidade do país na faixa populacional de 500 mil a 1 milhão de habitantes para investimentos, segundo a última edição da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Conseguimos ainda derrotar Campo Grande na disputa pela sede Pantanal da Copa do Mundo de 2014. A cidade está no rumo certo e vamos continuar neste caminho.
Folha do Estado: O que pode ser considerado positivo diante de tanta turbulência na gestão municipal?
Wilson Santos: Estamos fazendo em Cuiabá uma verdadeira revolução na educação. Cuiabá era a 18ª no ranking das capitais segundo o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em 2007 passamos a ser a 13ª e a nossa meta é chegarmos em 2012 na lista das cinco melhores do país. A partir deste ano estamos pagando quinze salários ao ano para todos profissionais das dez melhores escolas ranqueadas. É o princípio da meritocracia chegando a Cuiabá. Além disso, melhoramos as condições de trabalho, uma parceria com os professores permitiu a entrega de um computador de última geração a todos os 2.100 professores que estão em sala de aula. Tiramos o salário que era o 17º piso nacional para o segundo maior piso nacional. Antes era R$ 530 e hoje pagamos R$ 1.152 para uma jornada de 20 horas semanais. Avançamos muito em capacitação continuada, dobramos o número de crianças na educação infantil, introduzimos o ensino da África no ensino fundamental, o que nos rendeu um prêmio nacional de política de promoção da igualdade racial. Criamos o cursinho pré-vestibular e colocamos mais 2 mil jovens nas universidades mato-grossenses, e criamos o Bolsa Universitária, que já colocou 804 estudantes pobres nas universidades, todos bancados pela prefeitura de Cuiabá.
Folha do Estado: Nesta semana, a executiva nacional do PSDB manifestou interesse em vê-lo na disputa ao Palácio Paiaguás. O senhor se sente pressionado para assumir a candidatura ao governo do Estado?
Wilson Santos: Não! Antes de ter meus desejos e sonhos sou um homem do partido, fui chamado e coloquei meu nome à disposição para junto com o senador Jayme Campos definirmos o melhor nome para 2010. Sou ‘aecista’, convivi com Aécio Neves na Câmara dos Deputados e tenho um carinho e respeito muito grande pelo apoio dado a minha candidatura nas duas ocasiões. Mas, reconheço que o melhor nome para governar o país, independente de partido, é José Serra. Poucos países do mundo possuem quadros com a inteligência, experiência, história, sensibilidade e ética de José Serra! É um político que faria sucesso como candidato nos Estados Unidos, Alemanha, França, Japão. O Serra é, sem dúvida, um dos melhores quadros da vida pública mundial e ele já demonstrou isso muitas vezes.
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