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Investimento nos 16 aeroportos brasileiros totalizará R$ 4,6 bilhões
A lentidão dos investimentos no aumento de capacidade dos aeroportos brasileiros coloca em risco a realização da Copa do Mundo em 2014. O alerta é de Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em recente palestra em São Paulo. Segundo Godoy, os investimentos nos principais terminais estão extremamente atrasados e os problemas estão se avolumando, principalmente em períodos de chuva. "Há um risco crescente no radar da Copa do Mundo de 2014 no Brasil", afirmou o empresário.
Como pano de fundo, ressaltou Godoy, está a crescente movimentação de passageiros nos aeroportos, que encerrou o ano passado em alta de 12,8% na comparação com 2008. A grande dificuldade, na visão da Abdib, é que os estudos e projetos não conseguem vencer o trâmite de licitação e controle da administração pública. "A modernização e integração da gestão dos diversos órgãos públicos responsáveis pelo atendimento aos usuários ainda está somente no papel", disse Godoy.
Fraude
No final de janeiro, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo citou relatório da Polícia Federal sobre a operação "Caixa Preta" que aponta superfaturamento de R$ 991,8 milhões nas obras de dez aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Os terminais investigados pela PF são: Corumbá, Congonhas, Guarulhos, Brasília, Goiânia, Macapá, Uberlândia, Vitória e Santos Dumont e Cuiabá. Segundo o jornal, todas as obras foram contratadas durante o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006.
O texto cita que os desvios teriam sido arquitetados pela cúpula da estatal na administração do ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Pernambuco, Carlos Wilson, que presidiu a Infraero naquele período. Wilson foi filiado à antiga Arena, ao PMDB, ao PSDB, ao PTB e, por último, ao PT. Ele morreu em abril de 2009, aos 59 anos, vítima de câncer.
A reportagem dizia que o relatório da PF detalha, em 188 páginas, a operação de um "um seleto e ajustado grupo" de 18 empreiteiras. Segundo o jornal, 52 pessoas, entre ex-dirigentes e funcionários da Infraero, empresários, projetistas e fiscais são acusados dos seguintes crimes: formação de quadrilha, peculato (crime contra a administração pública), corrupção ativa e passiva, crimes contra a ordem econômica e fraude em licitações.
Entre as irregularidades apontadas pela polícia no inquérito, de acordo com o texto, estão manobras da direção da estatal, como a contratação de uma mesma empresa para executar diferentes obras no aeroporto, formação de cartel entre as empresas para prejudicar concorrentes e mudanças de regras durante a licitação. O jornal citou uma manifestação da Infraero em que a estatal diz que colabora com as investigações por ser interessada na apuração dos fatos e afirma ser gerida com transparência.
Promessas
No final do ano passado, a Infraero anuncuou que 11 dos 16 aeroportos que serão utilizados para a Copa terão suas capacidades incrementadas para receber um maior número de pessoas. Isso significa um acréscimo de até 57,2 milhões de passageiros na capacidade atual destes aeroportos, que é de 86,1 milhões.
Publicado em : 22/02/2010 às 14:03 Editado em: 22/02/2010 às 14:14