Uma nova pesquisa revela a dura realidade enfrentada pelos entregadores de aplicativo no Brasil: 99% afirmaram que pagam, com recursos próprios, o plano de dados móveis usado no trabalho. Além disso, 93,4% não possuem seguro para o aparelho celular, 90,6% não têm seguro de vida, 90% trabalham sem qualquer cobertura de saúde e 67,6% nem sequer pagam o seguro obrigatório do veículo usado nas entregas.
Os dados acendem um alerta sobre as condições de trabalho enfrentadas por esses profissionais, que atuam sem amparo legal ou segurança mínima. Para o diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, Rodrigo Afonso, o cenário configura um modelo de exploração.
“Fica evidente para a gente que esse modelo de trabalho do jeito que está é um tipo de escravidão moderna, onde o trabalhador entra com todo o trabalho, o risco, o ferramental, o tempo e recebe em troca contrapartidas que não são suficientes para que essa pessoa possa ter uma vida digna”, afirma.
A ideia de “autonomia” vendida pelas plataformas, segundo ele, também é ilusória. “Apesar de os entregadores serem levados a crer que são empreendedores, livres e que podem definir seus horários, no fim do dia, quase 60% precisam trabalhar todos os dias e também quase 60% trabalham mais de 9 horas por dia”, completa.