Na última sexta-feira (28), a Associação Paulista de Supermercados (Apas) se reuniu com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, para discutir estratégias voltadas ao preenchimento das 34,5 mil vagas abertas no setor em São Paulo. Entre as propostas apresentadas, destaca-se a possibilidade de permitir que os inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) possam ser contratados com carteira assinada sem perder o acesso aos benefícios sociais.
O presidente da Apas, Erlon Ortega, também defendeu a necessidade de maior flexibilização nos horários de trabalho no setor supermercadista. Segundo ele, a implementação de um modelo de contratação horista poderia atender à demanda dos jovens que buscam conciliar o primeiro emprego com outras atividades. “Sabemos que essa é uma demanda dos jovens. Muitos têm o supermercado como primeiro emprego, mas, atualmente, buscam horários alternativos para exercerem outras atividades. Evoluir com o sistema ‘horista’ atenderia essa liberdade exigida pela nova geração”, afirmou Ortega.
Durante a reunião, também foi debatida a sugestão de retirar os preços de alimentos e energia do cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para Alckmin, esses itens são altamente influenciados por fatores climáticos e externos, tornando sua inclusão no índice pouco eficaz para decisões de política monetária. “Não adianta aumentar juros porque não vai chover por causa disso”, comentou o presidente em exercício, destacando a necessidade de reavaliar a metodologia de cálculo da inflação.
Dados recentes do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas em parceria com a Fipe, mostram que a inflação do setor foi de 0,44% em fevereiro de 2025, uma leve desaceleração em relação a janeiro (0,51%), mas ainda acima do registrado no mesmo período de 2024 (0,41%). No acumulado dos últimos 12 meses, os preços nos supermercados paulistas tiveram uma alta de 5,80%.