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JUDICIÁRIO Segunda-feira, 24 de Março de 2025, 15:46 - A | A

Segunda-feira, 24 de Março de 2025, 15h:46 - A | A

SUPERIOR A R$ 3,3 MILHÕES

TCE investiga superfaturamento na compra de kits didáticos para professores

O processo de compra foi feito sem licitação, por meio de inexigibilidade contratual, com a empresa Mind Lab.

 

A gestão do prefeito João Campos (PSB), em Recife, está sendo alvo de um relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), que investiga um possível superfaturamento superior a R$ 3,3 milhões na compra de kits didáticos e licenças de uso para professores da rede municipal, realizados entre 2023 e 2024. O processo de compra foi feito sem licitação, por meio de inexigibilidade contratual, com a empresa Mind Lab.

 

De acordo com o TCE, o valor unitário de cada kit para professores chega a R$ 1.690, podendo ultrapassar R$ 6.040 se incluídas licenças e outros materiais. Em comparação, o kit destinado aos alunos custa apenas R$ 58. O tribunal questiona a disparidade dos valores, apontando que é "fora de qualquer razoabilidade" que dois livros do professor custem R$ 3.380, enquanto os materiais dos alunos totalizam apenas R$ 58.

 

O relatório do TCE também sugere que houve direcionamento na contratação, com exigências técnicas que favoreciam exclusivamente a Mind Lab. O programa "Mente Inovadora", para o qual os kits foram comprados, foi implementado sem uma avaliação prévia de impacto e apresenta, segundo o tribunal, baixa utilização.

 

Além disso, o TCE recomendou a responsabilização do ex-secretário de Educação Fred Amâncio, que pediu demissão na última semana, bem como de secretários-executivos e técnicos da pasta.

 

Também foi sugerida uma multa de R$ 1,6 milhão à Mind Lab.

 

 

 

 

A Prefeitura de Recife, por sua vez, refutou as acusações, alegando que o cálculo do valor unitário foi feito de forma incorreta no relatório. Segundo a administração, os R$ 1.690 seriam referentes a 300 kits, mas deveriam ter sido associados a um universo de mais de 4 mil professores, reduzindo o custo unitário. A prefeitura também afirmou que a defesa já foi apresentada ao TCE e que o relatório é preliminar.

 

A Mind Lab se defendeu, afirmando que sua contratação foi feita de acordo com a legislação e que a inexigibilidade foi necessária devido à exclusividade de conteúdo.

 

A empresa negou qualquer envolvimento com práticas ilegais ou favorecimento.

 

Este é o segundo caso envolvendo possíveis superfaturamentos na gestão de João Campos. Em dezembro, o TCE apontou R$ 7 milhões de sobrepreço nas obras do Hospital da Criança. Ambos os processos ainda aguardam julgamento.

 

 

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