Em uma decisão incomum, senadores bolsonaristas e governistas uniram forças e aprovaram, de forma unânime, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, um projeto que permite ao governo Lula impor medidas de reciprocidade caso Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aplique sobretaxas a produtos brasileiros.
A votação ocorreu na manhã desta terça-feira (01) na CAE, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).
A proposta foi relatada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, que defendeu o projeto afirmando que ele não se trata de retaliação específica contra os EUA, mas de uma salvaguarda para todos os mercados que comercializam com o Brasil.
“Ela não é uma retaliação; ela é uma proteção quando os produtos brasileiros forem retaliados”, afirmou.
A discussão ganhou urgência diante do iminente anúncio de um novo tarifaço por parte de Trump, programado para esta quarta-feira (02).
O presidente norte-americano prometeu medidas drásticas que, segundo ele, visam "libertar a economia dos Estados Unidos de inimigos e até de amigos".
O projeto aprovado estabelece que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), terá a prerrogativa de aplicar sanções comerciais contra países que adotem sobretaxas ou que desrespeitem acordos comerciais com o Brasil.
Além disso, a proposta prevê medidas de reciprocidade contra países que exijam critérios ambientais mais rigorosos do que os aplicados internamente pelo Brasil.
A votação na CAE foi aprovada por 16 votos a favor e nenhum contra. Dentre os senadores bolsonaristas que apoiaram o projeto estão Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Mecias de Jesus (Republicanos-RR).
Outros senadores ligados ao ex-presidente Bolsonaro, como Jorge Seif (PL-SC) e Rogério Marinho (PL-RN), participaram da sessão, mas não votaram, a aprovação do projeto na comissão.
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