O governador Mauro Mendes (União) voltou a defender de forma enfática a construção da Ferrogrão, projeto estratégico para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, e criticou duramente o cacique Raoni por se posicionar contra a obra. Para Mauro, a liderança indígena está sendo utilizada como instrumento de interesses externos que não representam os brasileiros.
“Eu gosto do Raoni, ele é uma liderança respeitada, mas está sendo incoerente. Já me disse várias vezes que quer asfalto. Mas não quer a Ferrogrão? Isso é um absurdo. O asfalto para ele é o que a Ferrogrão representa para o agronegócio: desenvolvimento. E é com a economia forte que pagamos o asfalto que ele pede. Isso ele não quer”, alfinetou.
Mauro também rebateu a defesa da política de desmatamento zero, prometida pelo presidente Lula e cobrada por Raoni. Para ele, o foco precisa estar no combate ao desmatamento ilegal, sem impedir o crescimento do país.
“Não podemos impedir as pessoas de se desenvolverem. Vamos abrir mão de explorar riquezas minerais porque meia dúzia de ambientalistas a serviço de concorrentes estrangeiros querem? Isso não é razoável. O Brasil tem o direito de crescer com responsabilidade”, argumentou.
O governador destacou que Mato Grosso já lidera a produção agropecuária nacional e que o investimento em infraestrutura tem sido uma prioridade do seu governo. “Faltamos quase 5 mil km nesses seis anos. Vamos chegar a 6 mil. A Ferrogrão é essencial. Assim como o etanolduto até Paulínia, que vai consolidar Mato Grosso como maior produtor de etanol do país”, disse.
Mauro também ressaltou o valor estratégico do DDG — subproduto da produção de etanol a partir do milho — como alimento animal de alta qualidade. “O DDG tem valor proteico superior ao próprio milho, potencializando a cadeia produtiva de proteína animal em nosso estado”, explicou.
Encerrando sua fala, Mendes reafirmou que o Brasil tem uma das maiores áreas preservadas do planeta, mas precisa manter o equilíbrio entre conservação ambiental e geração de riqueza. “O Brasil preserva como nenhum outro país. Mas precisamos gerar riqueza. O Raoni, com todo respeito, está sendo incoerente e precisa se explicar”, concluiu.