Ministério Público de São Paulo denunciou um juiz aposentado por ter construído toda sua carreira sob uma identidade falsa. Segundo a Promotoria, o verdadeiro nome do acusado é José Eduardo Franco dos Reis, mas ele atuou por quatro décadas como Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, um nome inventado com suposta origem britânica.
A denúncia foi aceita pela 29ª Vara Criminal de São Paulo nesta segunda-feira (31), tornando o ex-magistrado réu formal no processo, que tramita sob sigilo.
Vida dupla
A farsa começou nos anos 1980, quando José Eduardo, então com pouco mais de 20 anos, forjou uma certidão de nascimento e obteve um RG com o nome fictício. Com isso, ingressou no curso de Direito da USP, se formou em 1992, passou no concurso da magistratura em 1995 e atuou como juiz até se aposentar em 2018.
Ele chegou a coordenar o Núcleo Regional da Escola Paulista da Magistratura em Serra Negra, assinou sentenças e deu entrevistas à imprensa. Em uma reportagem de 1995, chegou a se apresentar como descendente de nobres britânicos, afirmando que seu avô havia sido juiz no Reino Unido.
Documentos falsificados
A denúncia detalha que, ao longo dos anos, o ex-juiz apresentou diversos documentos falsos para manter a identidade paralela: certidão de nascimento, título de eleitor, carteira de trabalho, certificado de dispensa militar e documentos de servidor público. O Ministério Público aponta que, na época, os sistemas de checagem documental eram mais frágeis, o que facilitou a fraude.
O esquema só veio à tona em outubro de 2024, quando o acusado tentou tirar uma segunda via do RG com o nome falso, em uma unidade do Poupatempo. A análise das digitais cruzadas com bancos de dados modernos revelou a duplicidade de identidades.
Consequências e crimes
José Eduardo foi denunciado por três crimes de uso de documento falso e três de falsidade ideológica. Os crimes mais recentes ocorreram em 2020, 2021 e 2024.
A Promotoria solicitou à Justiça que anule todos os documentos emitidos em nome falso, incluindo CPF, e pediu medidas cautelares como entrega de passaporte e proibição de deixar a cidade onde reside.
Os motivos por trás da farsa ainda são desconhecidos.
Benedito da costa 05/04/2025
Esse é um verdadeiro falsário estrategista
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